quinta-feira, 30 de julho de 2009

Cinema

Volto meus olhos para a grande tela
A procura de um mundo que me revele o meu
A luz projetada me mostra um novo
Que se mistura ao antigo

Um estória inédita, vinda de outras terras
Que se torna familiar ao meu encontro
E se faz tão íntimo aos meus sonhos
Quanto me é estranho aos olhos

Cinema surpreendente, onde vejo minha alma
Me surpreende ainda mais ao descobrir
O que vejo repetidamente, sem fim

Seja em imagens ou sons
Seja fechando os olhos
Vejo sempre a ti

Por: Gustavo Souto de Paula

Cinema

Cinema é um fogo que arde sem se ver, é ferida que dói e não se sente, é um contentamento descontente, é dor que desatina sem doer. Porque é melhor um pássaro na mão que dois voando, senão sabe-se lá quando.
Pensando bem, um dia eu vi um filme que mudou a minha vida, era meio bobo, pastelão, mas eu decidi que nunca mais escovaria os dentes com a escova de ninguém, sabe-se lá o que as pessoas andam comendo...
Olha só, não e mau meu desatino, queria falar sobre outras coisas, mas quando a gente não sabe o que dizer, fica assim mesmo, fazendo cena...

Por: Menina linda

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Palavra: Cantigas

Eu gosto é das cantigas, daquelas bem antigas. Do tempo em que se atirava o pau no gato, comprava-se brigas, mandava-se matar, a boa e velha ameaça de trevas profundas! Gosto das velhas histórias, com choros, seqüestros, egoísmo, ganância, todas lavadas com muito sangue. Gosto das cabeças rolando, da honra lavada, da misericórdia duvidosa. Gosto da velha vida, onde se quebrava dentes, meninos acuados deixavam grandes cicatrizes nas testas dos valentões, e meninas suspiravam ao deslumbrar uma distante conjunção carnal.
Melhor que hoje, onde se joga filhos pela janela, metralha-se colegas algozes, mata-se numa pequena discussão...e volta pra casa, pede a mãe pra chiar em seu ouvido e toma 30 gotas de Rivotril.

Por: Gustavo Souto de Paula

Palavra: Cantigas

Logo que veio ao mundo, no primeiro chorou ele ouviu
Quando aos 6 quebrou a perna, alguém cantando lhe sorriu
Aos 12 subiu no telhado, mas a madeira ruiu
No hospital estrupiado, mais uma musiquinha surgiu
E ao longo de sua vida
Na tristeza ou na alegria
Na festa ou na agonia
No trabalho ou na orgia
No rancor ou simpatia
Sempre uma cantiga se ouvia
Um dia adormeceu
Cansado da vida morreu
E em seu enterro lhe ocorreu
Que em sua última cena
Que pena
Uma cantiga serena
Não aconteceu

Por: Élio Filho

sábado, 9 de maio de 2009

Palavra: Volta

Eu voltei. Maltratado, magro, cheio de cicratizes (algumas ainda abertas), como um cachorro que foge de casa e retorna depois de uma semana. Voltei feliz, como esse cachorro. Comida de mãe, cama limpa, chão varrido....chão. Quem diria, aquele que um dia fugiu por sentir falta de asas, retorna e enche seus olhos de água por ter um chão. É meio engraçado, mas nem chega a ser irônico. Afinal, como saber o verdadeiro valor do chão antes de perdê-lo? Como nos convencer de que temos asas de galinha, que não podemos subir tão alto, senão através de uma desastrada queda de cara na terra? Agora é fechar os olhos, sentir o vento e sorrir. Eis o meu chão querido, o meu voltar, aquele que poderá me levar muito mais longe que todos os céus inexplorados desse universo!

Palavra: Volta

Passei a noite com um amigo para falar sobre minhas voltas sobre o vazio
Depois de falar sobre amor, amizade, pais, planos, familia, casamento, filhos.
Tudo voltou novamente.
Resolvemos voltar a estaca 0
Já era tarde e não dava pra voltar atrás.
O vazio voltou mas as palavras não.
Contornamos o vazio pra ver se o que faltava voltava
Não voltou
A falta permaneceu presente

Por: Bisa

domingo, 3 de maio de 2009

Palavra: Macarrão

Macarrão... novamente. Amarelo, gosmento, escorregadio. Às vezes dá pra encarar como se fossem longilíneos vermes, esperando ansiosamente para habitar em seu corpo. Mas não....não é esse o problema do macarrão. Antes fosse.
Rotina, prato de qualquer dia. Coisa fácil de se fazer. Sem perspectiva, sem trabalho, sem grandes demandas. Sabor de tédio, inércia. Seu macarrão era como um lembrete que jogava em sua cara que tudo continuava exatamente da mesma maneira. Seu suor, sua luta, tudo se resumia a macarrão. Derrota.
Não almoçou naquele dia.

Por Gustavo Souto de Paula

Palavra: Macarrão

Não sou magro, nem gordo
Mas corro atrás do prazer, da felicidade, do ópio, da ilusão, da sensação
Mas não encontrei e entrei na contramão
Decepção
A compensação
Foi o macarrão
Aqueles finos e volumosos fios de massa
A me tapear, a me encher de sabor
Molho branco, vermelho ou qualquer um
Libação
Salve o macarrão
A salvação
De uma noite de humilhação
Sem emoção

Por Élio Filho

Palavra: Macarrão

a importancia do macarrão nas nossas vidas: fonte de carboidratos, versatil (por causa do molho), prato mestre de repúblicas, rapido, pratico... e deixa a gente cheio.

Por menina tímida

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Palavra: Ampulheta

Por engano colokei um relogio na minha tela. Assim, quando eu teclo com alguém, fica um toc toc silencioso, angustiante, me lembrando que o prazer tem tempo contado.
Mas não fiz por querer, é que entendo pouco dessas coisas, e aí, na ânsia de agilizar minha vida virtual, acabei ganhando uma ampulheta.
Sendo o tempo cruel como é, uma ampulheta pode ser minha destruição, mas o que posso fazer?
O problema é que eu não sabia como mexer...

Por "sua conta"

Palavra: Ampulheta

Leve areia que cai
Torne-se ainda mais leve
Para que o tempo se vá
E ela aos meus braços retorne

Fina areia, que suave desce
Tortura no âmago de minh'alma
Pois cada de um seus pequenos grãos
Toma tamanho de infinito mundo

Piedosa areia, enfim cumpriste seu trabalho
Linda e branca meu amor nos meus braços está
Não mais medidas há, grãos, segundos, tempos
Apenas ela, soberana sobre os universos

Mas há de se virar novamente a ampulheta...

Maldosa areia, quão rápido se esvai!
Agora que me contas o tempo que resta
Pareces sarcasticamente acelerada.
Talvez porque pesada estejas.....

Com o peso de todas as minhas lágrimas

Por Gustavo Souto de Paula

Palavra: Decepção

Subi
Preenchi-me de você,
Sonhei, cantei, mergulhei
Colori, pintei, desenhei
Senti cheiros, cores e sabores
E flutuei
Até sentir o desafeto do mundo
A falto do sono
O sono da falta,
A tristeza do abandono
O espelho quebrado
O prato vazio
O gato morto
A espinha fria
O espinho encravado
A dor da perda
Perder o que nunca teve
O vazio da desconquista
Do que nunca se conquistou
A visão clara das coisas
Obscurecendo o sonho morto
Caí
Afundei
Lama até o umbigo
Castigo do sonho
Em sonho não vivido
Nada é bonito
Tudo é vazio
O corpo desfalece
A alma entristece
O chão amortece
Mas a queda acontece
Decepção
Você merece

Por Élio Filho

Palavra: Decepção


Dissera que estava no céu. Que o mundo finalmente lhe sorria, as vozes soavam leves como cantadas por João Gilberto. Seu coração enfim batia de verdade, não era mais aquela velha bomba instável e fraca. As cores haviam se tornado mais intensas, os traços mais definidos, as pessoas mais tolerantes e simpáticas. Todos deixaram de ser monstros, e se tornaram enfim humanos. Mas a decepção....ah, a decepção... não esqueceria jamais a possibilidade de se decepcionar. Uma felicidade assim tão intensa e constante.... não estaria algo errado? E mesmo que não estivesse, até quando, meu deus, perduraria toda essa sensação de plenitude? Não se sabe ao certo, mas receio que tenha nascido no exato momento do nascimento da plena felicidade. Temer perder o que se tem é comum, afinal "quanto mais alto, maior o tombo". Simples motivo de felicidade era ver seu gato se banhar ao sol na janela de sua sala. Os pequenos olhos fechados, respiração profunda para absorver o que o mundo exterior poderia lhe proporcionar, o conforto de sentir o calor lhe dar vida. Mas era o décimo segundo andar. A idéia de ver seu gato escorregando passou a inundar seu imaginário e aquilo lhe torturava cada vez mais intensamente. Já não enxergava um banho de sol, e sim uma vacilada que o levaria a morte. Felicidade....linha tênue a separando de uma decepção latente, que espera o momento certo para enfim estragar tudo. Não. Não aguentava mais toda essa plenitude e paz. Não suportava a idéia de um mundo a um passo de desabar. Foi com um simples empurrar e um leve miado que seu gato se foi, janela abaixo, de encontro ao chão. Respirou aliviada. Não mais se decepcionaria.
Por Gustavo Souto de Paula

Texto expresso quarto de hora

Sem grandes complicações e aspirações.
Textos feitos em aproximadamente 15 minutos sobre um tema definido na hora, por aqueles que estiverem reunidos no momento. Reuniões a serem definidas.

Abraço a todos. Aproveitem.